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Não sei você, mas eu tenho uma mania de associar pessoas com coisas que ela gosta. Por exemplo, para uma amiga a qual visitei durante esta semana, e Bon Jovi, a banda, tanto que ela me recebeu com um show antigo da banda rolando no Youtube. Eu passei a associar as pessoas aos seus objetos de pesquisa, isto é, os autores que eles estudam. Assim, é inevitável, para mim, ver uma publicação sobre Hélène Cixous, por exemplo, e não lembrar automaticamente de Clara. Não sei se com ela, por exemplo, e assim.
Isso me leva a lembrar das aulas sobre representação literária cujo tema era “A República” de Platão. Ao final daquela aula, concluímos que ainda estamos presos a Platão. Temos a mania de buscar padrões, classificar e agrupar as coisas.
Você já pensou sobre o que seus amigos associam a você? Eu começo.
Durante muito tempo, os amigos próximos à família me associavam a livros. Por isso, ganhei muitos livros usados e até mesmo descartados. Meu marido, que não é do grupo dos leitores, não podia ver um livro jogado por aí que trazia para mim. Foi só algum tempo depois que ele passou a associar Virginia Woolf a mim. Alguns amigos lembram de mim ao ouvirem Bon Jovi, como eu disse, outros U2 e também o Guns’n Roses. Os amigos acadêmicos lembram de mim ao ouvirem falar sobre Virginia Woolf. E tem aqueles que agora me associam ao meu objetivo de vida que é virar nômade, montar um motorhome, sair pelo mundo e viver num tempo diferente desse que a gente vive correndo, pressionado, sempre atrasado ou devendo algo. Claro que há um pouco de romance nesse sonho, mas sonhos são assim mesmo, concorda?
Na sessão de terapia desta semana, comentei, mais uma vez, com meu terapeuta sobre esse sonho e recomendei a ela um canal de uma senhora canadense que sai para acampar sozinha. Camping raiz, ta? Ela vai para a floresta, arma sua barraca, faz fogueira e de quebra ainda leva o caiaque e sai para passear com ele. Num dos vídeos fiquei chocada pensando que se fosse eu no lugar dela, jamais saberia voltar para o ponto de onde parti. Obviamente que não considerei que ela deve ter algum conhecimento do esporte, certo? Então fica aqui a dica do canal da Wendy. Espero que ele também te inspire a buscar viver de outras formas além daquelas impostas a nós desde que nascemos.
Ainda durante essa semana, no trajeto entre a casa e a faculdade, passando por onde está montado um circo aqui na cidade, lembrei que essa vontade de morar num veículo e sair pelo mundo nasceu quando eu era pequena e assisti à novela Ana Raio e Zé Trovão. Os mais novos não vão conhecer! Eu fiquei fascinada com aquelas casas montadas em ônibus e caminhões. Depois, fui crescendo e esqueci completamente desse fato até que, graças ao YouTube, descobri os vídeos sobre motorhome. Vou deixar uma lista dos canais que costumo assistir.
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Seu texto me lembrou que a identidade também pode ser um mapa do desejo: a gente é o que ainda vai ser. Eu também sou capaz de me perder indo buscar água numa trilha, imagina voltar de caiaque rs! Mas acho lindo que o medo não tenha te afastado do sonho, me devolveu uma fé cega na possibilidade de viver em outra velocidade - o meu maior sonho é justamente não precisar justificar sonho pra ninguém. Que sua futura van seja grande o bastante pra caber seus livros e pequena o bastante pra caber nas curvas da estrada 🙏
Também tenho essa vontade de sair por aí futuramente,acho demais e desbravador! Ah e sempre, que ouço Bon Jovi, lembro de você rsrsrs